Com que vida encherei os poucos breves
Dias que me são dados? Será minha
      A minha vida ou dada
      A outros ou a sombras?

À sombra de nós mesmos quantas vezes
Inconscientes nos sacrificamos,
      E um destino cumprimos
      Nem nosso nem alheio!

Porém nosso destino é o que for nosso,
Quem nos deu o acaso, ou, alheio fado,
      Anónimo a um anónimo,
      Nos arrasta a corrente.

Ó deuses imortais, saiba eu ao menos
Aceitar sem querê-lo, sorridente,
      O curso áspero e duro
      Da strada permitida.

5 - 5 - 1925

In Poesia , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, 2000
Ricardo Reis
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