De longe vejo passar no rio um navio...  
Vai Tejo abaixo indiferentemente.
Mas não é indiferentemente por não se importar comigo 
E eu não exprimo desolação com isto…
É indiferentemente por não ter sentido nenhum 
Exterior ao facto isoladamente navio 
De ir rio abaixo sem licença de metafísica 
Rio abaixo até à realidade do mar.

 

In Poemas Inconjuntos


In Poesia , Assírio & Alvim, ed. Fernando Cabral Martins, Richard Zenith, 2001
Alberto Caeiro
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