Sim, por fim uma certa calma.
Certa ciência antiga, sentida
Na substância da vida,
De que não há acabar da alma,
Qualquer que seja a estrada que é seguida.

Fácil visão?
Crença de muitos? Não.
Que o que sinto tem diferença.
É uma vida, não uma crença.
Não é meu: é do coração.
 
Sol que atingiste o ocidente,
Sei que outro te tornareí a ver -
Um outro e o mesmo no oriente:
Tudo é ilusão, mas nada mente,
O Nada de Tudo é o Ser.

31 - 3 - 1934

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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