Eu só tenho o que não quero
E a vida é pouco p’ra mim…
Não sei por que coisa espero
Nem se a quererei enfim…

Conto as horas como moedas
Que nunca penso em gastar…
E como quem rasga sedas
Não uso o que quero usar.

Quem me dera poder ter
Alguma cousa na vida
Que chorar ou que querer…
Ó pobre à porta da ermida…

7 - 2 - 1915

In Poesia 1902-1917 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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