Tenho febre e as horas são longas...
Chora alguém no meu limiar.
Um verão morto... Estagna o ar...
Tuas mãos hoje são mais longas...

Mais longas, mais brancas, mais no ar
Menos tuas no ar demorado...
Vem uma brisa do passado...
Não muda a morte  do ar...


 espaço deixado em branco pelo autor


[24-2-1915]

In Poesia 1902-1917 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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