Olho os campos, Neera,
Campos, campos, e sofro
Já o frio da sombra
Em que não terei olhos.
A caveira antessinto
Que serei não sentindo,
Ou só quanto o que ignoro
Me incógnito ministre.
E menos ao instante
Choro, que a mim futuro,
Súbdito ausente e nulo
Do universal destino.

In Poesia , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, 2000
Ricardo Reis
[OLHO OS CAMPOS NEERA ]
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