Nem mão de mulher, nem asa
De sonho, ou  que abrasa
Traz meu coração ferido:
Apenas o ter vivido.

Basta o saber que amanhã
Será a mesma cousa vã
Que me foi ontem, e é hoje
Triste porque é, porque foge,
Porque é o meu tudo, e é nada, —
Para ter a alma estagnada


 espaço deixado em branco pelo autor

12 - 7 - 1912

In Poesia 1902-1917 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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