Não sei qual o caminho — se o que passa
Por onde entre o arvoredo o atalho vai,
Se o que é a estrada extensa, que se traça
Como num vinco na terra, de onde sai.

Não sei, não sei. Porque ou atalho ou estrada
São terra, e o que importa é como andar;
Nem  pesa muito a estrada ir dar a nada,
Nem o atalho a nada ir dar.

Vale só o quem anda, que é quem vive.
Assim, adulto do que quis fazer,
Vou caminhando para o que já tive
Sabendo bem o que não poderei ter.

23 - 9 - 1934

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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