De leste a oeste comandámos,
Onde o sol vai, pisámos nós.
Ao luar de ignotos fins buscámos
A glória, inéditos e sós.
Hoje a derrota é a nossa vida
Doença o nosso sono brando.
Para quando é a nova vida,
Ó mãe Ibéria, para quando?

Dois povos vêm da mesma raça
Da mãe comum dois filhos nados,
Espanha, glória, orgulho e graça,
Portugal, a saudade e a espada,
Mas hoje…clama no ermo insulso
Quem fomos pequenos somos chamando.
Para quando é o novo impulso
Ó mãe Ibéria, para quando?


In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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