Pelo casamento do meu caro amigo Mr. Jinks (mas que, em situação semelhante, pode ser aplicável ao casamento de muitos outros senhores).

I

Vós, ninfas, cuja beleza os vossos prados
                     Adorna,
Graças corpóreas dos regatos ensolarados,
                    Chorai agora,
Pois que, de futuro, o Corydon de bom porte,
Neste mundo árduo que é nosso fim,
gelado como o vento Norte.
                    Ai de mim!

II

      Ah, Corydon! Ah, Corydon!
      E deixaste assim toda a alegria,
      O prazer sem peias, a fácil liberdade?
                    Ah, Corydon!
      Grande é a nossa melancolia.
      Então já não és livre, de verdade?
As tabernas já serão inúteis. Ah, em vão
Nos espectáculos se ouvirão as vozes das coristas,
Nas planícies os cavalos correrão,
      E, batidos, gemerão os pugilistas.
      As mulheres, os cães, os animais,
      E o vinho, a genebra, a aguardente,
      E o que é humano e animal, brutamente,
Estas alegrias, diz, não terás mais?


III

      Ah, a fraqueza da humanidade!
Tu que rias da mulher, tão altaneiro,
Inda encontrarás a tua vaidade
Entre a alegria em declínio e o escasso dinheiro?
      Tu te formaste numa escola terrível
      Que te ensinou, como regra de oiro, a desdenhar
O ser aparentemente fraco, regra temível
Que em dor tremenda em ti vai desabar.
      Tarde, tarde de mais aprenderás agora,
      Já com a voz baixa e de humilde porte,
      Já com a alma esmagada sem o garbo de outrora,
O pior mal que os deuses nos dão em sorte.

IV

Ah, que importa o lamento? Deixaste de vez
A vida, a juventude, a jovial graça
E o fundo repouso a que chamam embriaguez.
                    Ah, Corydon!
      Tu, a melhor esperança de toda a nossa raça
Deixaste os trilhos sagrados da paz, do amar.
      Ah, será que te contentas em vaguear
De loja em loja, com sogra e mulher
      Ou tremer todo, à noite, ao ouvir
      Com horror profundo para te afligir,
O arrazoado que a esposa disser?

V

Oh, as ralações que te aguardam, será que as poderei nomear?
De dia o trabalho e à noite todo o quarto palmilhando,
Gastando com um filho ao colo as forças que parecem falhar,
Tu, o marido da esposa, com o brilho da fama esperando...
Os soluços me quebram a voz e meus olhos parecem arder,
E meu espírito se gasta em suspiros e o peito neles se desfaz...
Ah, adeus, que partiste agora para essa terra obscura, de temer,
Onde os perversos acham o repouso e os cansados nunca têm paz.


1905

In Poesia , Assírio & Alvim , edição e tradução de Luisa Freire, 1999
Alexander Search
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