Onde estamos agora que não nos vemos, 
tu sentada diante da TV 
e eu escrevendo isto, não sei o quê, 
como outros dois que nós não conhecemos? 

Será que alguma coisa permaneceu 
do nosso amor como uma inevitabilidade, 
uma saudade pousada agora na mão de Deus 
existindo para sempre na sua breve eternidade? 

Talvez percorramos uma rota circular 
através da curvatura do espaço e do tempo 
onde haveremos de nos reencontrar; 
será que então de alguma forma nos reconheceremos? 


In TODAS AS PALAVRAS. POESIA REUNIDA , Assírio & Alvim, 2012
Manuel António Pina
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