Ó mera brancura
Do luar que se esfolha,
Ó rio da alvura
Do luar que te molha —

Montanhas que ao longe
Não têm um grito,
Todas um só monge
No claustro infinito —

Murmúrio das águas
Que ao luar que as não vê
É sombra, sem mágoas,
Macieza que é

A alma da noite,
A sombra do luar...
Ó nunca eu me afoite
Até no sonhar!..

25 - 7 - 1916

In Poesia 1902-1917 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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