Domingo irei para as hortas na pessoa dos outros,       
Contente da minha anonimidade.   
Domingo serei feliz — eles, eles...  
Domingo... 
Hoje é quinta-feira da semana que não tem domingo... 
Nenhum domingo… 
Nunca domingo… 
Mas sempre haverá alguém nas hortas no domingo que vem. 
Assim passa a vida, 
Subtil para quem sente, 
Mais ou menos para quem pensa: 
Haverá sempre alguém nas hortas ao domingo,  
Não no nosso domingo, 
Não no meu domingo, 
Não no domingo... 
Mas sempre haverá outros nas hortas e ao domingo…
9 - 8 - 1934

In Poesia , Assírio & Alvim, ed. Teresa Rita Lopes, 2002
Álvaro de Campos
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