Vai pelo cais fora um bulício de chegada próxima, 
Começam chegando os primitivos da espera,       
Já ao longe o paquete de África se avoluma e esclarece.         
Vim aqui para não esperar ninguém,      
Para ver os outros esperar,     
Para ser os outros todos a esperar,     
Para ser a esperança de todos os outros.                

Trago um grande cansaço de ser tanta coisa. 
Chegam os retardatários do princípio,           
E de repente impaciento-me de esperar, de existir, de ser. 
Vou-me embora brusco e notável ao porteiro que me fita muito mas rapidamente.            
Regresso à cidade como à liberdade.  

Vale a pena sentir para ao menos deixar de sentir.

 


In Poesia , Assírio & Alvim, ed. Teresa Rita Lopes, 2002
Álvaro de Campos
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