Tal como a lua sobre vastas torrentes
Dá brilho de prata à água ondulante,
Inda que uma nuvem a esconda um instante
Ou sombra nocturna, contudo luzentes

As ondas no escuro, mesmo sem luar
E sem luz encantam no sombrio deleite
Dum mover profundo que, de calma enfeite
A prata suave, qual leve sonhar;

Possa assim meu canto a força suster,
E se a sombra encobre a mente cansada
Que a luz da expressão ela venha encher

De grave doçura, vendo a humanidade
Que, mesmo abatido, consigo manter
Meu canto, atento à esp’rança e à felicidade.

1904

In Poesia , Assírio & Alvim , edição e tradução de Luisa Freire, 1999
Alexander Search
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