Aqui, que é o fundo
Do fim do mundo
Livre de tudo
De ter que ser,
Poderei, mudo
De mim esquecer.

Sob o ermo e quedo
Grande arvoredo,
Dormindo experto,
Verei passar,
DE mim liberto,
Meu sonho no ar
Ele é diverso
Do ser disperso
Com que, distinto
De mim sonhei.
Não penso; sinto.
Ignoro: sei.

5 - 1 - 1934

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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