Ao seu tear de sonho e vida,
Com mãos alheias à sua obra,
Tece a minha alma
Sua presença é dívida
Entre o que eu tenho e o que lhe sobra
De  □  calma.

Tece, serena tecelã
Meu coração, a minha mágoa,
A minha ânsia,
E a sua mão, incerta e vã,
Move-se como um remo na água
Na distância.

1 - 1 - 1918

In Poesia 1918-1930 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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