Quando virás destronar Cristo,
     Ó Encoberto?
Na fria noite onde me atristo
     De não ter perto

O Desejado, e a sua espada
     □
Minha alma busca confiada 
     A tua mão.

Senhor, em nenhum campo ou guerra
     Na Arábia ou não
Morreste... Vives ainda e a terra
     Tua visão...

Vê os cristãos venderem teu Reino
     E a tua terra
Quando virás?... Quando o teu Reino
     E o fim da guerra?

Vê o Anti-Cristo, é Papa em Roma
     □
Vem d’além de onde há mar e terra
     Teu Portugal...

Cristo de Portugal, senhor
D. Sebastião!

Na noite  teu gládio nu
     Brilha e apavora
Nossa Pátria, Senhor, és Tu
     Outrora e agora...

Tu és o sentido das águas
     Dos nossos rios,
A dureza das nossas fráguas
     □

Nossa paisagem é o teu nome
     Que se derrama
Por sobre a nossa eterna forma
     De forma humana.

Para o que amamos e buscamos,
     Para que resta
Quando cansados já gozámos
     E é finda a festa...

No teu cavalo branco volta
     Ao reino teu
Sob névoa que os raios solta
     No novo Céu.

Depois do , depois do Eclipse
     Quando, Adorado,
A Besta do Apocalipse,
     Tornar Reinado
E a Nova Cidade de Deus
     Reconquistada
Por ti e o brilhar sob os céus
     Na  tua estrada...

Espera-te nas nossas almas
     O olhar de além
Que vê entre balouçadas palmas
     Jerusalém...


□ espaço deixado em branco pelo autor

7 - 9 - 1914

In Poesia 1902-1917 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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