Povoas este espaço em que procuro 
os antigos sinais, o branco onde 
te escondias. É de uma pré-história 
que preciso, arquitectura 
que revele a luz, quadro 
para um ritmo alterado, 
tangível. Pequenas coisas — mundo —
um sentimento já maduro — leque 
que liberta as figuras, as inscreve. Desejo 
gravar-te neste espaço de assombro, 
ávido de ti, insubstituível. Possuo 
o teu desejo, quero 
na aluvião das terras da memória, 
encontrar-me carícia breve, limiar 
de uma respiração 
no teu passado, anulação do tempo. 


In LUZ VEGETAL , Limiar, 1975
Egito Gonçalves
[[POVOAS ESTE ESPAÇO EM QUE PROCURO]]
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