Como por cada gesto que ela faz a Realidade fica mais rica,
Com cada jeito das suas mãos há mais Universo.

E a rapariga que cose à janela, de cabeça baixa,
Quem pode desprezar olhando-a como se ela fosse
Um ponto sobre a capital de um grande império...
Ela é real do mesmo modo que uma capital imensa
E um claro dia que finda...
Vede os seus gestos tão reais e do corpo dela...
Tão colocados ali na presença visual dela...

 


In Poesia , Assírio & Alvim, ed. Fernando Cabral Martins, Richard Zenith, 2001
Alberto Caeiro
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