Nada fica de nada. Nada somos.
Um pouco ao sol e ao ar nos atrasamos
Da irrespirável treva que nos pese
      Da humilde terra imposta,
Cadáveres adiados que procriam.
Leis feitas, státuas altas, odes findas —
Tudo tem cova sua.  Se nós, carnes
A que um íntimo sol dá sangue, temos
      Poente, porque não elas?
Somos contos contando contos, nada.
28 - 9 - 1932

In Poesia , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, 2000
Ricardo Reis
[NADA FICA DE NADA. NADA SOMOS.]
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