É inda quente o fim do dia...
Meu coração tem tédio e nada...
Da vida sobe maresia...
Uma luz azulada e fria
Pára nas pedras da calçada...

Uma luz azulada e vaga
Um resto anónimo do dia...
Meu coração não se embriaga.
Vejo como quem só divaga...
É uma luz azulada e fria.

13 - 7 - 1928

In Poesia 1918-1930 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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