Aqui neste profundo apartamento
Em que, não por lugar, mas mente estou,
No claustro de ser eu, neste momento
Em que me encontro e sinto-me o que vou,
 
Aqui, agora, rememoro
Quanto de mim deixei de ser
E, inutilmente, choro
O que sou e não pude ter.


espaço deixado em branco pelo autor
 

 

1924

In Poesia 1918-1930 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
« Voltar