Olho longamente as árvores reflectidas 
como um logro: sobre as águas 
vejo passar detritos, a sombra, o arrepio 
de algo que não existe verdadeiramente. Não voltarei 
a sonhar aqui: noutro lugar 
estarão os caminhos que me restam, os sapatos 
com que devo procurar os espaços da razão, 
as ancas que firmam o calor dos sonhos. 

1981

In E NO ENTANTO MOVE-SE , Quetzal Editores, 1995
Egito Gonçalves
« Voltar