Vai alto pela folhagem Um rumor de pertencer, Como se houvesse na aragem Uma razão de querer.. Mas, sim, é como se o som Do vento no arvoredo Tivesse um intuito, ou bom Ou mau, mas feito em segredo, E que, pensando no abismo Onde os ventos são ninguém, Subisse até onde cismo, E, alto, alado, num vivém. De tormenta comovesse As árvores agitadas Até que delas me viesse Este mau conto de fadas.
15 - 12 - 1932

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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