I


Lenta declina a luz e a noite vai
Entrando azul no tardo entardecer.
Vaga e intrmina uma folha cai;
Subtil suspira um deus nesse descer.


De uma nvoa lils a lua sai
E quebra-so no mar sem se mover
Sons e cores, vibraes, tudo se esvai
Num lnguido desejo de morrer.


Castidade da noite absoluta,
Num galho imaterial um silfo escuta
0 segredo das flores que esto sonhando.


xtase. A eternidade passa perto.
Gotejam astros. O mundo est deserto.
S eu existo, fantstica... esperando...



II


Gnio da noite que os verdes sombreando
Entre os quebrantos do crepsculo vais
Sedas de roxas sombras desdobrando
E tornas mais profundos os pinhais.


As aparncias em cinzas transformando,
Fundes em formas sobrenaturais.
A folha e o mar, o cu e a terra quando
Brilham da lua os mgicos metais.


Gnio da eternidade enternecida,
D-me do sonho a loucura exacta
Que liberta a alma taciturna.


A ti me entrego na hora adormecida
De flores e estrelas que no tm data
Tempo, deixa-me em paz. Eu sou nocturna.

 

III


Fantstico jardim de uma outra idade.
Aurola vaga, paira o luar nos buxos.
Embevecida e area uma saudade
Soa no som mrmuro dos repuxos.


De plumas o ar afaga. Suavidade
De aromas na macia sombra inclusos.
Solta, nesse desvo da eternidade,
A toada dos grilos, sistros bruxos.


Jardim absorto pelos sculos esquecido
Entre cimento e snie. Do olvido
Os altos muros podrido te furtam.


Leve a brisa nas rosas espalha ritos
De uma outra idade. Desaparecidos ritmos
Sob o luar romntico se escutam.

 


In Sonetos Romnticos
Natália Correia
LOUVADO SEJA O GéNIO DE NOITE
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