Cada cousa que vejo neste mundo
Lembra-me o que perdi.
Um desejo sem forma, □ ou fundo
Nasce em meu ser parado
Se penso naquele □ passado
De antes de tudo que vivi...

Era luar sobre as horas...
Era lagos nos pensamentos...
Meus ócios nevoentos
Não tinham as demoras
Que têm nesta vida...
Havia portas pra conseguimentos
No próprio muro da descida.

31 - 10 - 1915

In Poesia 1902-1917 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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