Ah, quem nos dera a calma
      Dos séculos pagãos!
      Tu que fizeste, (ó) Cristo da nossa alma?

      Não é que, asceta cresses,
      Trazer mais uma sombra à vida
      E o peso do dever
      Não, nem que □ e  □, trouxesses

      Conservássemos nós, sofrendo embora,
      A consciência certa de cada hora
      E a lúcida visão
      Do luminoso mundo.
Os contornos das cousas, linhas quentes
      Ao sol reparador das cousas,
Fossem nossa  □  guia,

Não nos fugisse a calma interior
Com que olhar frente a frente a nossa dor
Sem precisão de  □  e paral’sos
P’ra a doença das nossas  □


post 3-10-1915

In Poesia 1902-1917 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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