Passando a vida em ver passar a de outros,
Botões de flor de um esforço nunca aberto
Na antiga semelhança com os deuses
      Que andam nos campos
A ensinar aos que as Parcas não ignoram
Como a vida se deve usar, e como
Há outro uso que agrícola dos campos
      E outro das fontes
Que beber delas na hora da sede.
Passando assim a vida, destruindo
O que fiamos ontem □
      Penélopes tristes.


□ espaço deixado em branco pelo autor


In Poesia , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, 2000
Ricardo Reis
[[PASSANDO A VIDA EM VER PASSAR A DE OUTROS]]
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