Que rosas fugitivas foste ali!
Requeriam-te os tapetes, e vieste...
— Se me di hoje o bem que me fizeste,
justo, porque muito te devi.

Em que seda de afagos me envolvi
Quando entraste, nas tardes que apareceste!
Como fui de percal quando me deste
Tua boca a beijar, que remordi...

Pensei que fosse o meu o teu cansao —
Que seria entre ns um longo abrao
O tdio que, to esbelta, te curvava...

E fugiste... Que importa? Se deixaste
A lembrana violeta que animaste,
Onde a minha saudade a Cor se trava?...


Paris, dezembro de 1915
Mário de Sá-Carneiro
Voltar