Sozinho na grande cama, 
perdido nos seus frios corredores, 
ouço, de quartos interiores, 
a tua voz que me chama. 

Do fundo da noite enorme 
onde pouso a cabeça por fora 
a tua voz de alguém acorda-me 
como num sono insone. 

Como se a tua voz agora 
antigamente me chamasse 
e tudo, menos a tua voz, faltasse 
fora da minha memória. 


In POESIA REUNIDA , Assírio & Alvim, 2001
Manuel António Pina
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