Uma maior solidão
Lentamente se aproxima
Do meu triste coração.

Enevoa-se o meu ser
Como um olhar a cegar...
A cegar, a escurecer.

Jazo-me sem nexo, ou fim...
Tanto nada quis de nada,
Que hoje sozinho na estrada,
Nada quer nada de mim.

23 - 10 - 1931

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
« Voltar