Se minto? Quantas vezes! 
Mas em palavras. Não 
Nos meus olhos castanhos portugueses, 
Nestas linhas atávicas da mão... 
Se minto?... Minto, pois! 
Mas nas orais palavras que vos digo. 
Não nas que entoo a sós comigo, 
E em que enfim deixo de ser dois. 
Não nas que entrego a músicas, miragens, 
Alegorias, fábulas, mentiras, 
Cadências, símbolos, imagens, 
Ecos da minha e mil milhões de liras. 
Se minto?... Minto! 
É regra de viver. Mas não quando, poeta, me desnudo, 
E a mim me visto de inocência, e a tudo. 
Venha quem saiba ver! 
Venha quem saiba ler! 

In Poesia II - Obra completa , Imprensa Nacional – Casa da Moeda, 2001
José Régio
IMPROVISO CORRIGIDO
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