Cai a mosca na teia. As finas patas
Da aranha recolhida se distendem,
E nos palpos gulosos, entre os fios,
O zumbido enrouquece, e pára, cerce.

O que viveu, morreu. Abandonado
Ao balouço do vento, o corpo seco
Bate a conta do tempo que me rola
Num casulo de estrelas sufocado.


In Os Poemas Possíveis
José Saramago
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