Está um dia incolor…
Cai a chuva serena…
Não sei de que tenho pena —
Da minha própria dor?

A minha dor que importa?
Alma inerte e viúva…
A natureza é morta —
Cinzento nó de chuva…

Sinto-me perecer
No que sou ser e ardor —
Serena chuva a esquecer
A natureza incolor…

12 - 6 - 1911

In Poesia 1902-1917 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
« Voltar