Na rua desabitada
De gente que valha ser,
Passa, um pouco carregada,
Aquela mulher cansada
De qualquer cousa que quer.
 
Tem uma aristocracia
De elegância e solidão.
Se a conhecesse, diria
Qualquer cousa que seria
Isto, e mais uma razão.

Mas assim, sem conhecê-la,
Ela é só essa mulher.
Satisfaz-me o descrevê-la
E ela passa, erma e singela,
E eu acabo de escrever.

28 - 1931

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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