Quando eu morrer e tu fores,
Ó prado, o que já não sei,
Haverá prados melhores
Para o melhor que eu serei.
E as flores que aqui são belas
Nos campos que vejo aqui,
Com cores serão estrelas
Nos vastos campos de ali.
E talvez meu coração
Vendo essa outra natureza
Mais natural que a visão
Que agora nos mentiu certeza,
Possa, como ave que pousa
Por fim num ramo, sentir
Como era nenhuma cousa
Esta cousa de existir.
2 - 7 - 1934

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
« Voltar