Depus a máscara e vi-me ao espelho… 
Era a criança de há quantos anos. 
Não tinha mudado nada... 
   
É essa a vantagem de saber tirar a máscara. 
É-se sempre a criança, 
O passado que foi 
A criança. 
   
Depus a máscara, e tornei a pô-la. 
Assim é melhor, 
Assim sou a máscara. 
   
E volto à personalidade como a um términus de linha.

 

11 - 8 - 1934

In Poesia , Assírio & Alvim, ed. Teresa Rita Lopes, 2002
Álvaro de Campos
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