Eu sou uma antologia.
‘Screvo tão diversamente
Que, pouca ou muita a valia
Dos poemas, ninguém diria
Que o poeta é um somente.

Assim deve ser — qualquer,
Enfim porque já o seja —
Pode ser um, porque o é.
O poeta deve ser
Mais do que um, para poder.

Depois para si o poeta
Deve ser poeta também.
Se ele não tem a completa
Diversidade
Não é poeta, é só alguém…

Eu, graças a Deus, não tenho
Nenhuma individualidade.
Sou como o mundo.

17 - 12 - 1932

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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