Os mortos depressa esquecem.
      D’aqui quantos lembrarão?
E os ciprestes estremecem
      Com a brisa do Verão...
O dia é alegre. Quantos
      Gozam ser □

Que sabe a vida da vida?

Tudo se esquece aqui.
Só os ciprestes estremecem
E o verão claro sorri...

Até rente a este muro
De onde os ciprestes se movem
Fala no canto obscuro
Um par risonho e jovem.

Jaz ali quem amam?

 

23 - 10 - 1928

In Poesia 1918-1930 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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