Não perscrutes o anónimo futuro,
Lídia; é igual o futuro perscrutado
      Ao que não perscrutarás,
      Quem o deu, o deu feito.

Disformes sonhos antecipam coisas
Que serão piores que os disformes sonhos.
      No temor do futuro
      Nos futuros perscrutamos [?].

Sabe ver só até o horizonte
E o dia, memora da flor hesterna
      Mais que do melhor fruto
      Que talvez não colhamos.

 

[?] - palavra de leitura duvidosa

13 - 6 - 1925

In Poesia , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, 2000
Ricardo Reis
« Voltar