Que bom ter o relógio adiantado!... 
A gente assim, por saber 
que tem sempre tempo a mais, 
não se rala nem se apressa. 

O meu sorriso de troça. 
Amigos!, 
quando vejo o meu relógio 
com três quartos de hora a mais!... 

Tic-tac... Tic-tac... 
(Lá pensa ele 
que é já o fim dos meus dias.) 

Tic-Tac... 
(Como eu rio, cá p’ra dentro, 
de esta coisa divertida: 
ele a julgar que é já o resto 
e eu a saber que tenho sempre mais 
três quartos de hora de vida.) 


In SERRA-MÃE , Ática, 1991
Sebastião da Gama
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