Nos pinheirais
Quantas desgraças
Lembram teus ais.

Quanta tristeza
Sem o perdão
De chorar, pesa
No coração.

Minh’alma alada
Sinto-te bem,
Vento na estrada
Poeirando além...

Gemes distante
Desfolhas perto...
Repassas errante
Meu pinhal aberto.

E ó vento vago
Das solidões
Traze um afago
Aos corações.

À dor que ignoras
Presta os teus ais,
Vento que choras
Nos pinheirais.

21 - 8 - 1921

In Poesia 1918-1930 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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