Aquela graça incomparável
Que nasce sem saber falar
Pende no meu sonho estável
Como uma música no ar.

Meu coração recebe dela
Dessa lembrança dolorida,
Um ar bom que abre uma janela
E refresca o torpor da vida…

Não creio que haja mentira ou verdade.
Ela era uma alma alada e nobre
Que deu um breve tempo
Como se dá esmola a um pobre.
Deu-me sorriso e não saudade.

31 - 1 - 1929

In Poesia 1918-1930 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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