Foi um olhar casual
Dado de lado,
Não a mim, mas ao lugar
Onde eu, homem, estava sentado.

Senti alegria, mas
Deixei de ter alegria…
Esses olhos são os que as
Que olham assim dão todo o dia…

Há um romântico imbecil
No melhor do melhor nosso
Mas, muitas vezes é, nulo e pueril,
Só o irmão gémeo do não-ouso.

 

6 - 1 - 1935

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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