tenho o olhar preso aos ângulos escuros da casa
      tento descobrir um cruzar de linhas misteriosas, e com elas quero construir um templo em forma de ilha
      ou de mãos disponíveis para o amor
     
na verdade, estou derrubado
      sobre a mesa em fórmica suja duma taberna verde, não sei onde
      procuro as aves recolhidas na tontura da noite
      embriagado entrelaço os dedos
      possuo os insectos duros como unhas dilacerando
      os rostos brancos das casas abandonadas, à beira-mar
      dizem, que ao possuir tudo isto
      poderia ter sido um homem feliz, que tem por defeito interrogar-se acerca da melancolia das mãos
      esta memória lâmina incansável
    
 um cigarro
      outro cigarro vai certamente acalmar-me
      que sei eu sobre tempestades do sangues? e de água?
      no fundo, só amo o lado escondido das ilhas
      amanheço dolorosamente, escrevo aquilo que posso
      estou imóvel, a luz atravessa-me como um sismo
      hoje, vou correr à velocidade da minha solidão

 


In O Medo
Al Berto
« Voltar