Começa o outono. Começou o outono.
Não faz frio e o calor que há não existe.
Indefinidamente tenho sono.
Sem motivo, estou triste.

Mas se um momento, entre o que as nuvens dão
De triste ao espaço, o sol aparecer,
Também clareia no meu coração
E começo a esquecer.

Não a esquecer só o que já havia
Mas também o que estava por chegar,
Na luminosidade fugidia,
Do coração e do ar.

21 - 9 - 1933

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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