Assim seja; para sempre separados —
Eu e os felizes, os sãos de mente.
A natureza nos fez diferenciados
E nada pode unir-nos novamente.

Novamente? Nunca estivemos unidos,
Cada um de nascença destinado —
Eles de peito alegre, destemidos,
Eu nascido já gasto, torturado.

Assim seja; para sempre separado!
E como seria em mim o normal?
É o que a razão se tem questionado
Tremendo intimamente desse mal.

Entreguei-me ao pavor e ao tormento,
Dei-me todo à loucura e ao sofrer;
Ao engano cedi meu pensamento.
Assim seja, se assim era para ser!

Eu não sou mais senhor do meu pensar.
Todo o controlo vai desaparecer.
A mente cede: doidos, podeis pastar
Em mim, vermes da alma e do meu ser.

1908

In Poesia , Assírio & Alvim , edição e tradução de Luisa Freire, 1999
Alexander Search
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