«O gato olha-me 
ou o meu olhar olhando-o? 
E eu o que vejo senão 
a mesma Única solidão? 

Chamo-o pelo nome, 
pela oposição. 
Em vão: 
sou eu quem responde. 

Virou-se e saltou 
para o parapeito 
real e perfeito, 
sem nome e sem corpo. 
(Também eu estou, 
como ele, morto).» 


In POESIA REUNIDA , Assírio & Alvim, 2001
Manuel António Pina
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