A prece que eu murmuro, a soluar
Ao Deus todo bondade e todo amor,
rezada de rastos no altar
Onde a tristeza reza com a dor!

A minha boca reza-a comovida,
Chora-a meus olhos, beija-a o meu peito
Sonha-a minh' alma sempre enternecida
Ao ver-te rir, meu Amor Perfeito.

Que o Deus do cu atenda a minha prece,
Embora eu saiba nesta desventura
Que Deus s ouve aquele que o merece!

Mas vou pedindo ao Deus de piedade,
Que te conceda anos de ventura,
Como dias a mim de inf'licidade!...

 


In O Livro D'ele
Florbela Espanca
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